"O medo derrota mais pessoas que qualquer outra coisa no mundo."
(Ralph Waldo Emerson)
(Ralph Waldo Emerson)
Hoje, eu lhes digo que resolvi parar de temer.
Temer perder a vida, temer perder "amigos", temer perder "amores", temer perder a "reputação", temer perder o juízo.
Como mulher, sou socialmente obrigada a me auto-afirmar o tempo todo, pois aquelas que não o fazem são passivas e concordam com tudo aquilo que a sociedade nos impôs, mas isso também é uma desgraça.Eu sou eu, ORAS!
O homem é homem. Eu, antes de qualquer coisa sou mulher.
Os casos de estupro aqui em Barão Geraldo (que, não somos idiotas: já existiam em grande número) me fizeram fazer fever o sangue num ponto que tenho vontade de sair por aí nua e gritando descontroladamente palavras de ordem como louca.
CHEGA! BASTA!
EU JÁ ESTOU CANSADA e decidi que agora, nunca mais, nenhuma força externa a mim vai me defender que não eu mesma.
Infelizmente eu conheço a dor de um estupro: sei que pior do que a violência física é a psiquica : Ora: não foi eu quem provoquei???? Não devia eu ter escutado os conselhos dados desde a infância: "sente-se de perninhas fechadas";"não ande só no escuro";"não responda a quem mexe com você na rua"; haja dito o senhor, seu bispo: Ninguém encaixa uma caneta na tampa se ela se defende.
Pois bem: resolvi me defender: mesmo que eu pague com a minha vida: ao menos, o meu agressor vai ter de ser conformar com uma necrofilia pois eu, como sou de fato, não estarei lá: apenas a minha casca.
Vou gritar, esperniar, bater, me defender, correr. MAS O MEU CORPO, MEU TEMPLO SERÁ MEU! SÓ MEU COMO É.
Quantas mais terão de sofrer, quantas mais terão de morrer????
Quantas mais terão de sofrer, quantas mais terão de morrer????
Não admito mais: medo de sair de casa para ser estuprada, medo de me declarar e ser tachada como louca;...medo de olhares sobre meu corpo que eu não permiti, medo de ir á festas e de que me passem a mão, medo de ser usada como objeto;medo de olhares sobre meu corpo que eu não permiti, medo de ir á festas e de que me passem a mão, medo de ser usada como objeto. Esse hoje é meu gritop de liberdade.
E se de agora em diante , eu acabar por transmitir medo, ahhh... não vou me importar nem um pouco: A "VIOLENTA" agora sou eu e ao meu lado, a partir de hoje, só a companhia dos fortes (clique para ouvir)
Fazer tais declarações (pessoais, inclusive) é um ato muito corajoso da sua parte! Te admiro muito por isso! Nós realmente devemos assumir o risco de ser mulher e não temer ao andar pelas ruas de Barão Geraldo, de São Paulo, do Rio de Janeiro... Enfim, adeus medo! E se as autoridades não são capazes de nos proteger, devemos lutar e nos unir pelos nossos direitos! Eu sou mulher! Sou dona de mim, do meu corpo e das minhas atitudes!
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