quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Piano Bar

Ninguém entende porque,mas Colombina prefere ambientes masculinos.
Mesmo quando está fora de “temporada de caça”.
Ela não se importa se são homens ou postes.
Todos em seus smokings, suas cartolas, seus charutos e bengalas a conversar na varanda sobre negócios e corridas de cavalo.
Colombina está parada no balcão.É sua folga,descanso para sua voz mas ela prestigia o pianista da noite, com sorrisos e ascenos para o colega musico.
Apoiada ao balcão,pede mais uma dose de conhaque e bate quase que automaticamente as cinzas no cinzeiro sem olhos afixados diretamete.
Alguns amigos estão presentes mas ela apenas os cumprimenta de longe.
Seu lado depressivo.Entendido por todos.
De repente, D’us manda chuva.
Os garçons correm para fechar as janelas. O enorme lustre do salão balança com um vento que soprou de supetão.
Os jogadores de carta das outras salas saem correndo atrás de seus baralhos voadores.
Relâmpago e Bum.Cai a luz e imediatamente volta.Eis que uma figura está parada na frente de Colombina.Não.
Não!
A mesma camisa branca de furos, pingos de chuva e umas graminhas presas nela.Uma calça estourada dobrada até quase a panturrilha e chinelos de borracha.
O maitre vem correndo quase sem fôlego atrás para perguntar se está tudo bem com Colombina,se não se sente encomodada com aquela presença que entrou sem se quer se identificar e destoa tanto do ambiente onde Colombina está.
Colombina diz que está tudo bem.E olha para ele.O “pescador”da praia!
Um de seus amigos de praça vê a cena ao longe, faz cara de desaprovo e continua sua conversa e a beber.
O outro de tão entretido nem percebe.
Ela está maravilhada.O tempo parou.Colombina não diz, não se expressa.
Segundos que viraram Anos!E Anos Luz!
O dono da casa se aproxima e diz que não é mais possível que aquele rapaz permaneça ali já que não está vestido adequadamente.
O homem apenas o cumprimenta,bate em suas costas.O dono da casa faz cara de nojo.E o homem da praia se vai.
Colombina olha em sua volta,olha para o maitre, olha para seu chefe,de olhos arregalados e sai correndo.
Desce as escadarias porque o elevador está descendo.Por seu uma gaiolinha, Colombina consegue ver aquele rapaz lá dentro.
Colombina chega ao andar térreo e ainda o vê saindo pela porta.
Colombina se quer sabe o nome dele...como o irá chama-lo?
Ele atravessa a rua e DE NOVO as trevas o consome.
Colombina passa a mão pelos cabelos e lança longe a sua carteira.
IIIIIIRGHT! Chuta o ar!Puxa os cabelos.Range os dentes!
Nesse circo todo, EU sou a Palhaça!!!Mais uma vez!
Nisso desce seu amigo poeta que não viu o ocorrido;mas percebeu sua ausência.
Ele vê o estado de nervos de Colombina e simplesmente diz a ela: “vai atrás!Ele não deve estar longe!“
Mas Colombina não sabe mais pra onde ele foi.
A escuridão o encobriu
O outro amigo ainda chega,balança de novo a cabeça e comum movimento vira Colombina para subir com ela para o bar enquanto toma um gole da sua bebida com a outra mão.
E Colombina vai...ainda um pouco luta para olhar para frente até que quase tropeça na escada e é obrigada a voltar seu eixo.
Quem é que aqui nunca se apaixonou e de tão cego que ficou não sabia como agir?
Como é horroroso estar diante de quem se ama!Como nos sentimos patetas quando aquela figura surge!Ou como ,não sabendo agir,fazemos como o “pescador”e tomamos uma atitude ridícula que depois nos faz sentir vergonha.
Pior que isso é: se não o “enfrentarmos”se é que assim, posso dizer,quando é/como nos  aproximaremos dele e estabeleceremos contato?
É melhor amar simplesmente de longe, de forma platônica,como se fosse um fruto da nossa própria imaginação, ou é preciso enfrentar, construir, investir....ou até mesmo , no momento devido jogar a toalha e dizer o que se sente?
O medo é um aviso.Mas também o pior dos sentimentos.
É melhor ser escravo de uma paixão ou arriscar perder a migalha da companhia do outro?
E quando somos o outro?Por que é tão mais difícil lidar com o fora dado que com o fora recebido?
Vergonha de que,se foi o outro que se expôs?
Ah paixões...todas vocês que me matem aos poucos!
Ah vocês que são tão boas e ao mesmo tempo só me fazem pensar o pior...
Por quê estou me atendo somente ao “fora”?
Que forma de defesa mais estranha.
Melhor seria se eu fosse mais confiante.
...Confiante...hunf... que Lado Obscuro da Mulher é confiante?
Antes não sou eu a Auto-Destrutiva?
Estou a enlouquecer e meu aliado é meu inimigo:

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