domingo, 9 de janeiro de 2011

Marca de Vinho (Dama do Cabaret)

Colombina foi ao cabaré como de costume, tomar o seu trago, fumar a sua cigarrilha , trocar idéias 'Iluministas', ter boa companhia rir, ouvir boa Música.
Entre uma taça e outra de vinho, a alegria e a ebridez tomam conta da aura de Colombina.
Dançando com as mãozinhas para cima, arriscando bons passos com seu salto alto branquinho, fazendo contraste com o chão de mármore escuro.
Termina a noite, ela e dois companheiros boemios abraçados, cantando para a Lua canções de noitadas boas e do viver.
Colombina se despede, entra em sua casa mal acertando a chave na fechadura da porta.
Entra jogando sua carteira com de couro de jacaré, joga longe sua tiara cheiade plumas de pavão,vai arrancando a roupa, se livra de uma liga  apertada de sua lingerie, e um par de suas meia-calsas saem sozinhos, sem explicação.Colombina deita na cama e morre nos braços de Morfeu.
Dia seguinte: um pouco de ressaca.Uma jarra de cristal cheia d'agua a espera no criado-mudo coberta com um lencinho véu-de-noiva.
Colombina começa a querer ajeitar a bagunça de suas roupas, quando percebe que seu vestido de seda da noite anterior está sujo...é mancha de vinho!
Alguém ou ela mesma deve ter encostado uma taça em si...é preciso urgentemente por a roupa de molho.Os vestidos de Colombina são como filhos de dondocas para ela: tem de estar sempre impecáveis!
Molho/Molho/Molho... passa a hora...saiu um pouco,mas não tudo!

Colombina corre , abre a porta do hotel onde mora e grita por ajuda para umas das camareiras. Uma delas vem calmamente, e enquanto Colombina faz um escandalo, a camareira calmante pega o vestido das mãos de Colombina, e leva consigo...Colombina vai atrás berrando.
Ao chegar na lavandeiria, a camareira, com mãos de pianista,a mergulha numa bacia com água e reserve. Pega outra bacia, coloca o vinagre e mergulha o local manchado. E só. Milagrosamente a mancha de vinho sai na hora. Bem simples, não?
Alívio de Colombina que quase morreu de sincopa ao ver vinagre barato em seu vestido de seda turca e fios de ouro.
O que Colombina não se atentou, é que a mancha de vinho em seu vestido, por várias vezes apareceu na sua vida.
Não só em sua vida, mas ela mesmo derramou vinho na roupa alheia várias vezes.
Não percebemos que em simples detalhes,em pequenos momentos "manchamos"a vida de alguém.
Talvez essa pessoa dê conta de acabar logo com a mancha como a camareira. Ou talvez se desespere por um bom tempo como Colombina.
Ou talvez ainda, queira guardar essa mancha em um pedaço de pano como recordação.
Um dia, um momento já basta para que esse passo passional deixe alguém a pensar em você por meses...ou tenha de si uma impressão aterradora.Ou ainda leve consigo o cheiro , o perfume de uma vida que despertou depois de tal encontro.
Razão?Nem tudo ela explica.
Somos constituidos em cada uma de nossas células de emoções.Pacotinhos de açucar e de corações passeando por nossas veias.
Não se culpe se a mancha de vinho não quer sair de você. Isso acontece e não faz mais ou menos irresponsável pela sua razão. Também não é sentimento pueril: é sentimento humano.
Não mexa na mancha até que alguém a retire de você...ou retire-a...não sei.
Não se culpe pelas suas vis paixões inesperadas.
Assim é a vida, e elas acontecem...
Manchas as vezes são saudáveis.
Porque como já diria a propaganda de sabão em pó:
"Se sujar faz bem" (Clique para ouvir)

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