Colombina volta a São Paulo.Ela esteve meio desorientada.
Teve um noite de insônia por ter deixado que levassem embora o seu coração sem ter deixado aviso,sem deixar manual,nem orientação.
Colombina então se defendeu como sabe ela: tomnou um porre!Foii-se embora uma garrafa de Whisky barato...BARATO???Sim...como lhe ensinara um amigo de praça que como Colombina andou a sofrer...mas pelas mulheres.
Deitada na poltrona, em pleno desespero, não agüenta ficar sozinha.
16h...
Pega seu telefone e liga para suas amigas.
Eis que ela ouve a porta , e vai correndo atrás atender.Vê suas companheiras,e as abraça...de repente uma tontura.”Ai meu labirinto!’...Colombina corre para a poltrona , coloca na cabeça uma bolsa de gelo.E aponta para suas amigas uns petit fours , o bule de chá e as xícaras...mãos tremulas.
Colombina começa a contar a noite que teve no Rio.
A Amelie Poulain olha surpresa...abre a boca, arregala os olhos e : HÁ! ri sem parar.
Colombina lança-lhe um olhar e a putinha francesa lhe dá ares de que “não está mais ali quem falou”. O espanto causado , foi porque jamais imaginaria Colombina...atrás de um...Matuto desconhecido?Hahahahahahahaha.
Colombina lhe lança um sorrisinho de “agora já deu”.Até por que ainda era a Amelie Poulain, de franjinha na cara,cabelinho de cleópatra,pele uniforme,branquinha,cara de boneca de porcelana,que havia lhe roubado o seu marido...’aqueeeeele’ Pierrot...
Améie Poulain nem liga e começa a atacar os pettit four...e a tomar o chá. Pra quem tem experiências com homens como objetos de trabalho, é mais fácil de se desvincular daquilo tudo de forma mais irônica e racional. E seguir em frente.
A outra amiga, é a índia de cabelos selvagens,que segura ternamente a mão de Colombina e de repente num surto, começa a tirar da bolsa tudo o que é runas e cartas de tarot e começa a querer calcular a lua e sua posição sob os signos quando Colombina conheceu o rapaz no Rio.A índia quer consultar as entidades estavam presentes no momento.E dá broncas em Colombina por receber bênçãos de um cavalo que não conhecia.
Colombina conta as amigas sua história.Cada uma na sua impressão,mas ela tem a companhia delas e é isso que importa.
Nenhuma delas faz o padrão social comum.
Uma é francesa que se deu bem na vida como cafetina de luxo, e em sua filosofia francesa muito mais á frente de seu tempo,causa medo nas mulheres de que leve para seus maridos uma boa amantesinha a troco de muito dinheiro.Tem razão demais em si e já tem seu Pierrot.Ninguém entende a amizade dela com Colombina já que souberam do escândalo do Carnavall.Acreditam ser um carma.Colombina fez com Arlequim e pagou ao ter que agüentar a Amélie.A outra veio do meio do mato e vive em seu mato particular.As outras mulheres tem medo de sua selvageria,tem receio de que ela não saiba se comportar direito e a chamam de “ macumbeira” já que ela tem uma força fora do comum a controlar a natureza e seus 4 elementos: ar,água,fogo e terra.
Amelie quer logo acabar a conversa e acha que o Colombina precisa é de uma noite cantando na frente de seus fãs e escolher alguém quem maltratar usando-o para uma noite de sexo e nada mais.
Colombina já tentou isso.E na verdade acabava por sofrer mais.Ou de ter de agüentar o individuo, ou de esperar dele mais.
A índia já acha que ela precisa é de reclusão: tomar chás,fazer banhos de ervas, uma limpeza espiritual.
Colombina acha que precisa de mais Whisky.E deu.
A imagem daquele homem tão cedo não vai lhe sair da cabeça. E isso não é negociável.Colombina queria paz.Mas nõ vai ter.
Amelie Poulain não concorda.E abre seu cantilzinho de rum que mistura ao chá.Levanta e vai ligar a vitrola e dançar sozinha.
A Índia por sua vez vai acender incenso. E passear com ele por toda a casa.
Colombina olha para uma, Colombina olha para outra,balança a cabeça até que “ai!!!”dor de ressaca!
Elas param o que estão a fazer e vem em direção a Colombina.
Elas param o que estão a fazer e vem em direção a Colombina.
Colombina passa o braço direito no pescoço da Amelie Poulain, depois o braço esquerdo na Índia...e juntando as testas das três , ri.
Todas se olham entre si num momento terno.Estão a rir somente.
Colombina dá uma bitoca na testa de cada uma delas...e ficam ali.
A noite vai caindo, elas vão embora.
O telefone toca,um de seus companheiros de noitada.Infiltrado na sociedade,mas na verdade sabe o que é bom.É poeta nato, metido as escondidas á musico, um apaixonado.
Quer saber se ela precisa de alguma coisa: ela diz que de uma abraço.
Ela aparece em segundos a porta de seu apartamento.E a abraça.Enchuga-lhe as lágrimas e diz para ela com com um sorriso no rosto que apenas mantenha a calma...calma...”Você não fez nada demais!Não tem o que se culpar.Você apenas gosta de alguém agora.E eu vou achar ele pra você”.
Ele vai embora porque tem que voltar para sua casa, sua família, sua mulher e seus filhos.
Colombina compreende e inveja a mulher dele.E como queria filhos...
Colombina vai se deitar.
Colombina escuta um bêbado gritar da rua...ela sabe que não é a voz do seu amor...
Sai na janela:O louco do Whisky barato com a gravata dora do lugar, o colete manchado,o terno arrastando no chão.
Colombina morre de raiva só por lembrar da ressaca que teve.
Colombina póe o roupão, vira os olhos pro lado, encosta na janela, e resolve descer para traze-lo para cima.
Arruma um sofazinho na ante-sala para recebe-lo já que ele não tem condições de ir embora.
Ele,já diz pra Colombina que ninguém merece seu sofrimento.Assim como nenhuma das mulheres merece o dele.
Colombina o olha de braços cruzados concordando com ele...aí apaga a luz e se recolhe para seu quarto.Ele lhe faz um sinal de ”jóia”.Ela concorda mais uma vez.
E vai deitar.
Dia movimentado pra quem achou mesmo que ia ficar curtindo solitariamente a ressaca.
Cada um na sua razão, todos tão diferentes.Vivencias diferentes, opiniões, intelectuallidades diferentes,Vidas, cada um com a sua.
Mas colegas. Amigos com quem sempre poderá contar.
É claro que Colombina não ia curtir a solidão.Eles nunca deixam.Eles semore estão por perto.
Talvez,nunca eles lhe trarão solução na vida.Quem tem que resolve-la é Colombina mesmo.
Ela quem terá que enfrentar seus medos.Ela quem terá sozinha, que um dia se possível ficar face a face com o homem que a encantou.Ela tomará seu fora sozinha.Ela receberá um nada sozinha,Ela agüentará o tempo e a espera sozinha.Ela aguentará a incerteza e um talvez sozinha.Ela talvez por que não ouvirá um ”sim provisório “sozinha.Ou quem sabe um “sim “de fato e daí sozinha terá de enfrentar as borbeltinhas no estomago e como enfrentará a situação, e fazer suas declarações, falar de seus planos juntos e aí seguir sua vida.
Tão sozinhos: Amelie, a Filosofia e Pierrot/a Índia, a mata e seus encantamentos/o poeta escondido, seu trabalho e sua família/o despedaçado, suas quedas da noite e sua garrafa de Whisky barato.
E tão juntos: um conselho de sexo, um espiritual, um amor e um de desprezo.
Uma que acha que é Colombina deveria desencanar pois nunca mais verá o rapaz/outra que acha que ela deveria se proteger bem e ver se realmente quer procura-lo./Outro que acha que Colombina deve ir atrás de seus sonhos e diz ainda que até a ajuda o encontrar./e outro que acha que deveria acha-lo e pisoteá-lo só por ter sumido depois de uma noite tao especial e ainda faze-lo sofrer não querer mais.Aí dar um tempo e pisotear mais uma vez.
Nada que servisse para Colombina.Tudo que lha servisse.
Mas todos os aconselhadores a serviram. E ninguém que não lhe serviu.
Todos ombros, Todos amigos.
Todos ombros amigos.
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