quarta-feira, 1 de junho de 2011

The Sound of Silence

A palavra é prata, o silêncio é ouro.
(Provérbio Chinês.)



Nunca se sabe o que é um silêncio, por assim dizer.
Ou melhor: nunca se sabe o que um silêncio quer dizer.
O paralelo sobre o tempo (ou "destempo") - o teu silêncio tão externo ao meu; sei que meu silêncio ao menos, é só vazio de som audivel,por que no meu silêncio, há pensamento, raciocínio, reflexão; há sons insuportáveis que não consigo "apreciar" e busco na voz ,no barulho e no calor de uma bagunça, qualquer coisa que livre e o faça calar.
Quando você me olha e só me olha, me fala.
Fala mais ainda numa língua que eu, não sabendo interpretar, conjulgo o erro: lingua maldita, que quase , propositalmente usa para me atormentar.
Queria tanto dar a ela signo, mas na verdade ela é só sua e eu não sei falar.
E quando me desviares o olhar, o seu 180, vai me contar; essa mezza volta fingida de indiferença, mas que na verdade nem é fuga,porque nem com meu silêncio nem com minha voz , você também consegue lidar.
Mas se der sua pausa no silêncio e começar a me falar, serei esmagada num misto de medo e vergonha - e minha aflição é por em breve retirar minha orelhas á faca e estourar com uma caneta os meus tímpanos para não escutar; o rubor de minhas bochechas vai me entregar: essa panela de pressão prestes a estourar...
O silêncio eterno, "castorzinho", só vem com a morte; ou nem com ela.
Pois hão de ecoar as vozes daquele que deixou o pincel cair no chão e borrar com tinta , numa mancha disforme, o tecido da vida.
E eu também, tenho uma marca: espirrou em mim tal pigmento - caiu no olho e ardeu a porcaria.


...entretanto, limpei com água e sarei; mas se perguntares, mesmo que vago e sem pesar, lembrarei do incômodo e poderei te contar.
 

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