terça-feira, 26 de abril de 2011

Um Piano...

"Depois do almoço na sala vazia
A mãe subia pra se recostar
E no passado que a sala escondia
A menininha ficava a esperar
O professor de piano chegava
E começava uma nova lição."
Aula de Piano- Vinícius de Moraes


Comecei estudar piano aos 4 anos de idade.
Eu era uma menininha baixinha... a mais baixinha de minha turma. Meus pés não alcançavam os pedais e as teclas do piano eram demasiadamente pesadas para os meus pequenos dedinhos. Mas achava lindo.
Aos 5 anos de idade participei de meu primeiro recital: tocando pecinhas do tipo "Noite Feliz"; e até hoje, julgo que foi meu melhor concerto, deixando Tel Aviv no "chinelo".
Aos 6 anos, brinquei de esconde-esconde no conservatório, me escondi debaixo do piano e dormi... as pessoas ficaram desesperadas atrás de mim...
Aos 8 anos de idade, passei a ir sozinha para as minhas aulas.
Aos 11 anos,tentei inventar a minha primeira música.
Aos 13 anos, menstruei pela primeira vez numa aula... quase morri de vergonha, pois tinha uma paixão platônica pelo meu professor: mas ele foi uma pessoa muito cortês, me explicou o que havia acontecido e foi á primeira pessoa á me dar os "parabéns" por  ter virado "mocinha".
Aos 15 anos tive uma professora de piano que me causou traumas horríveis: do tipo fechar o tampo do piano na minha mão quando errava... resolvi me afastar dele
Aos 16 anos, fui me dedicar a flauta doce. Mas quando não conseguia visualizar uma canção, era o piano quem me tirava a dúvida.
Aos 18 anos, fiz o pior recital da minha vida em minha primeira faculdade... fiquei meio traumatizada e retardei em meus estudos.
Aos 20 anos, fiquei grávida e quando a Suri nasceu, em seu 3o dia de vida, compus a primeira canção para ele enquanto ela dormia no carrinho ao lado do piano.
Aos 21 anos, luchei o dedão do pé numa aula de balé por conta de um "chute" que dei no piano...
Hoje, aos 24 anos, sento-me a frente de um piano de cauda fazendo pois uma reflexão de minha vida.
O piano que me viu crescer, me tornar mulher, me ouviu chorar tantas vezes, me viu contar-lhe novidades alegres, me viu ficar mais perto de D'us, me viu chorar tantos amores... me viu, compor uma resenha de mim mesma...
Cada toque, em cada uma de suas teclas... cima a baixo: pretas e brancas: naturais e acidentadas é ali uma fase.
O piano muitas vezes conta muito mais minha história do que a folha de papel. E me abro pra ele: "cagueteiro" que conta atravéz de cada som, acusando o que estou sentindo.
O piano grita e não me deixa mentir, das teclas que molhei com minhas lágrimas.
Te faço pois um desabafo . Um dia quem sabe , mais do que quem eu permitir, ouvirão o que contei a você e verão mesmo ali uma conversa de amigos, companheiros...
Querido Piano, verdadeiro parceiro.


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