quarta-feira, 27 de abril de 2011

O Bandejão e a "Passarela da Desilusão".

Dia desses fiz o exercício de bandejar sozinha como faria a Colombina num dia em que estivesse muito deprimida... e "mezzo" consegui , pois fui salva pela companhia dos amigos. - Odeio comer sozinha.
Nos instantes em que "consegui" fazer tal proesa, sentei-me virada para a "Passarela da Desilusão": sim, é assimn que chamo a bela passarela onde "desfilamos" até descer para as mesas lá embaixo.
Mas dessa vez estava apenas como expectadora.
Vi muitas meninas, que assim como eu, viradas para lá a procura de "algum alguém".
Em 6 meses de Unicamp , assustei-me ao tentar contar quantas vezes eu havia me sentado "desiludida" a olhar para cima durante as refeições.
O primeiro passo pois é a catraca: onde aproveitamos os esbarrões e depois a pia onde damos nosso primeiro "oi"; aí segue:
Lembrei da primeira vez , que resolvi "dar o troco" num rapazinho que disse para mim que eu "era apenas um experimento" e que ele "demorava de 3 a 6 meses para se apaixonar- por isso mesmo cairia fora antes"; e, fazendo-se de bom todos os dias, indo comer na minha frente, um dia resolvi dar uma de "louca" e fazer uma "intervenção artística" com cerveja, batom vermelho, um leque e sentada sobre a mesa... (muito aplaudida por sinal: e sim- sou eu- você já deve ter ouvido essa história, "do projeto de engenheiro que disse que o IFCH só serve para fazer revolta, o IA para fazer nada e o IEL para fazer greve"- me empenhei tanto em queimar o coitadinho que até hoje ele sofre buliyngs diversos- mas eu já não tenho mais controle sobre isso...).
Nessa vez inclusive , fiz amizade com um grande amigo, que "assistindo" ao meu "show", quis saber do que se tratava e ainda fez o favor de mentir para o "tiozinho" da porta do "bandeco", dizendo que ia pegar um "guarda-chuvas" que havia esquecido, e voltou lá dentro, tocou o ombro do rapaz e disse: "Você é um grande FDP!"~ e como resposta teve um "Obrigada" do "franguinho".
Mas não te assuste: já passei dessa fase "tão vingativa". (mas meu ascendente ainda é escorpião, muito embora canceriana... cuidado...hehe)
Tentei lembrar das quantas vezes que tive de "adaptar" os horários de minhas refeições para poder apenas avistar a "nobre presença" que eu, "atiradora". quis apenas admirar.
Um deles "bandejava" as 11h30 da manhã (e eu corria a sair da aula mais cedo); outro, bandejava tarde: das 13h30 , 13h45 ou mais, me fazendo morrer de fome ou me atrasar para as aulas. Tinha um outro ainda que era britânico: 19h em ponto adentrando ao "Bandeco".Dava para fazer contagem regressiva dos passos dele... sério!
E eu lá embaixo, como "se nada tivesse ocorrido", fazendo casualmente "sinais simpáticos" para que assim que ele descesse, viesse ao meu encontro.
Sim... inda em minha cabeça na hora que o rapaz passava tocava automáticamente "Carinhoso" - 'E os meus olhos ficam sorrindo e "pelas mesas" vai te seguindo...
Vi alguns meninos doarem suas "sobremesas" ás menininhas de seu interesse, e morri de inveja.
Também servi de vigia a amigas que queriam "fugir" de rapazinhos ou queriam "saber se ele estava lá e pra quem estava olhando". (os homens também devem fazer isso - não me tomem por doida!)
Fiquei sabendo que eu também já fui "Miss Bandejão" de um alguém... mas infelizmente não a tempo de conhecê-lo melhor...
Já me "apaixonei á primeira vista" no bandejão também; e também já esperei alguém para uma conversa intragável, tal como a "pelinha" do "frango fimose" - (sou adepta da "circuncizão"... :p)
Já me desencantei também com quem comia a refeição reclamando de um jeito estúpido e imbecil: se a pessoa não sabe ser grata na mesa, imagine na vida.
Gosto também dos papos á mesa: é aí que você tem a oportunidade de ver se são compatíveis: melhor se forem do mesmo curso: vai saber que prova , matéria e o que as "piadinhas" querem dizer - bandejar com músicos é sempre muito divertido e a digestão pela risada é garantida.
Também já "boiei" em mesa de engenheiros e tive vontade de chorar.
Já peguei suco, para poder desfilar, ver e ser vista para um mesa toda.
Tem também a "Grande Janela": Palco de "Jacksons" e "Supersmans" e também a última esperança de ver um possível affair.
E a tiazinha que vende a entrada que parece "já saber de tudo..."
Tem também o tal do "cafézinho" na saída - que dependendo da "doença" pode durar HOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORASSSS ou até existir só ele quando "o amor é tanto" que até lhe tira a fome
... e é claro: a sombrinha de uma arvorezinha ali mesmo.
A saída do "bandeco" é a maneira mais eficaz para saber "que festa ele/a vai". Também é o lugar do desabafo e da fofoca dos amigos e do "Deixa a vida me levar" com o "sonzinho" que sempre está rolando lá.
Vi , sentada ali no "bandeco", primeiros olhares e primeiros "flertes"; vi namorados esperando suas namoradas, vi namoros recém -terminados e olhares de raiva, vi pessoas olhando para a passarela como se lá estivesse a comida e eles fossem "crítcos gastronômicos", e já vi os que já se sentam de costas: ou porque estão bem resolvidos, ou porque perderam a esperança.
Eu mesma nunca "bandejei casada".
O cafézinho é de praxe para dar um "oi" aos amigos que nunca consigo ver.
E ainda me sento na parte virada para cima, porque gosto de apreciar o movimento.Só porque sou curiosa para ficar de costas: agora, faço o horário do cardápio e da fome mesmo.

MAS,numa dessas... quem sabe...
por que não?

...ou... melhor  concentre-se no seu almoço/janta.

"Meu Bandejão , Meu Mundo"...
Tente sua sorte na próxima refeição... (clique para ouvir).


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Depois desta postagem, jantei no "bandeco".
Sem pensar em nada e por incrível que pareça, "bandejei" pois virada para a esteira e na companhia de pessoas discretas.
Só me demorei no cafézinho por causa da chuva e na companhia de um amigo de longa data.
Não olhei a janela.
Acho que te "superei" por hoje, bandejão...

2 comentários:

  1. Genial! Já ouvi várias histórias sobre o bandeco, mas é a primeira com uma perspectiva do xaveco, haha.

    Eu costumo dizer que bandejar sozinho é uma experiência mística de auto-conhecimento, mais eficaz que um banho demorado.

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  2. Quem nunca foi cada uma dessas personagens do bandejão de todo dia?
    Conseguiu inferir todos os ângulos guardado nessas quatro paredes...
    adorei.

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