quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Bailinho

Dia desses me perguntaram porque a "A Balada" de Colombina é a Música de Chico Buarque: "Folhetim" se o que ela mais reclama é sobre a falta de compromisso dos homens e alguém que a ame e queira com ela uma relação estável.
Para escrever este post ouvi novamente esta canção, numa bela interpretação pela Gal Costa.
Então, percebo: essa canção é uma síntese de toda a nossa vida amorosa.
Recriminamos, mas agimos como putas: homens e mulheres.
Imagino Colombina em meio a Luzes em formato de bolas coloridas,um palco na frente com músicos tocando ao vivo.Ela , sobre a pista, os braços ao redor do pescoço de Pierrot.Ele,com as mãos pousadas em sua cintura.Os corpos mais ou menos próximos,como nos nossos primeiros bailinhos em que dançávamos em parezinhos pudícos, nada que lembre nossos "festejos republicanos universitários".
Eles dançam ternamente...sorrisinhos encantados...
Passa o tempo.No mesmo salão ,dança Colombina com Arlequim.
Mais um tempo, Colombina e um engenheiro dilascerador,
Tempo, e lá estará : Colombina...e mais outro que o futuro resarva.
Pierrot também baila a mesma baladinha ao lado da Amélie Poulain.
Sobre Arlequim não sei, mas os engenheiros estão na mesma.
Baile do Swing.
Dizemos 'sim' a quem de agrado receber nossa canção.Aceitamos em troca uma boa noite,"corte de cetim"largado em nossas camas.
Meias-Verdades,Meias-Luzes, e todos a acreditar que nossa performance foi a melhor da vida daquela pessoa.
Chega a manhã...manhã que pode ter vindo mesmo no dia seguinte...manhã que aparece depois de 2 ou 3 encontros...manhã depois de 1, 2 meses...manhã de 3 anos depois...e descartamos o parceiro, como uma folha riscada, usada,que arrancamos de nosso "Folhetim" pessoal, doido para que encontremos uma página branca , novinha.
É...é assim sim.Ou liga você, para saber se com todos aqueles com quem você esteve estão bem?O "Amor da Sua Vida"do ano passado, pode ter chorado e sofrido na dor do Adeus...esteve você lá?
Não...o bar...uma caneta nanquim e estava a escrever novas páginas de seu "Folhetim".
Segue a vida e a jornada sem fim de Colombina.
Espero que Pierrot tenha chego ao fim da dele.O mesmo para Amélie Poulain.

E desejo de coração.


Eu sigo apenas  observando a folha vazia do meu Folhetim.

Paro agora e imagino quando ela começar a ser escrita...para esse novo ano...2011...
E sonho com a 'noitada boa' que de 'tão boa' não me deixará chegar a aurora.
Como uma Sherazad.Não de 1001...mas de noites sem fim, as quais Sherazad continuaria a inovar a contar suas histórias, ainda que fosse a mesma, caso esse fosse o "Motivo para sua Existência".
A Colombina em mim, lança olhar distante ao movimento da rua.Balança seu copo de Whisky, desta vez com gelo, para que desça leve nesse calor.
Na mão esquerda o companheiro cigarro...que o velho judeu fumante chama de 'alimento d'alma'.
De alma cheia,espero por um dia avistar 'nobre cavalheiro' ; 2 mesas a frente, que tal?
Fino, a levantar para Colombina uma taça de Champagne, e convidá-la para matar uma garrafa entre lençóis de seda turca.
Que o Champagne não acabe...que esta taça não termine.
E que esteja abundante.
Que vire meu Folhetim, um livro...
Livro da vida...
Aquele que não tem fim.

Se Acaso me Quiseres... (Clique para ouvir)

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